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Papo de Especialista

Você ainda mede seu treino pela dor?

Entenda por que a dor não deve ser a principal medida de um treino eficiente e como a evolução depende de planejamento, constância e recuperação

Publicado em 16/06/2026 às 12:09

Você ainda mede seu treino pela dor? (Foto: Divulgação)

Minha relação com o esporte começou cedo, aos 12 anos, dentro das quadras de basquete. Hoje, aos 37, depois de décadas acompanhando treinos, atletas e diferentes modalidades, uma pergunta continua aparecendo com frequência: “Professor, se eu não senti dor, será que o treino funcionou?”

A dúvida faz sentido. Afinal, quem nunca ouviu a famosa frase “no pain, no gain”? Entre gritos durante o treino, pernas tremendo e a sensação de que quanto mais sofrimento, melhor o resultado, muita gente passou a acreditar que a dor é a principal prova de um treino eficiente. Mas será que isso realmente tem base científica?

Os estudos sobre treinamento e hipertrofia mostram que existe uma diferença importante entre o desconforto provocado pelo esforço e a dor como indicador de resultado. Durante exercícios intensos, especialmente quando o objetivo é ganho de massa muscular, tolerar certo nível de desconforto pode ajudar a alcançar estímulos mais eficientes, como maior fadiga muscular e estresse metabólico. Em alguns casos, insistir um pouco além da vontade de parar realmente faz diferença.

Mas existe um ponto que sempre gosto de reforçar com meus alunos: dor não é sinônimo de eficiência. Aquela dor muscular do dia seguinte, que muitos consideram um troféu do treino bem-feito, durante muito tempo foi vista como prova de resultado. Hoje, a ciência mostra que essa relação não é tão simples. A dor está muito mais ligada à resposta inflamatória do organismo e à forma como o corpo percebe o esforço do que, necessariamente, ao quanto o músculo evoluiu.

Na prática, sentir dor não quer dizer automaticamente que o treino foi excelente. Não sentir dor também não significa que o treino foi fraco. Os resultados aparecem quando existe progressão de carga, consistência, recuperação adequada, planejamento do treino e execução correta.

Por isso, talvez esteja na hora de atualizar aquele velho lema. Em vez de “no pain, no gain”, prefiro pensar em algo que faz mais sentido no dia a dia: “no plan, no gain”. Porque, sem estratégia, não existe resultado. A qualidade do treino deve ser medida pela evolução ao longo do tempo, não pela dor do dia seguinte.

Fonte: Professor Rafael Carvalho Pelegrini: Educador Físico | Personal Trainer | Instrutor de Artes Marciais | Treinador de Corrida | Pós-graduado em Neurociência do Esporte

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