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ENVELHECIMENTO

Análise de Tereza Raquel revela desafios do envelhecimento em Cabreúva

Com base em dados do IBGE, pesquisadora mostra que 12,9% dos moradores tinham 60 anos ou mais e alerta para a necessidade de planejamento até 2030.

Publicado em 03/11/2026 às 11:07

Análise de Tereza Raquel revela desafios do envelhecimento em Cabreúva (Foto: Divulgação)

Cabreúva está passando por uma transformação silenciosa, mas que já pode ser percebida nos números: a população está envelhecendo. O município tem milhares de moradores com mais de 60 anos, e parte dos que hoje estão na faixa dos 50 anos também chegará à terceira idade nos próximos anos.

Essa realidade é o centro da análise “Cabreúva está envelhecendo: estamos preparados para cuidar de quem construiu a nossa cidade?”, desenvolvida pela biomédica e pesquisadora Tereza Raquel Xavier Viana.

No trabalho, Tereza reúne dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e apresenta uma reflexão sobre a necessidade de preparar o município para o envelhecimento da população, principalmente em áreas como saúde, prevenção de doenças, assistência social e qualidade de vida.

A preocupação apresentada pela pesquisadora não está apenas no aumento do número de idosos, mas em como Cabreúva poderá garantir que essas pessoas continuem vivendo com saúde, independência e dignidade.

Uma em cada oito pessoas em Cabreúva já era idosa em 2022

Segundo os dados do Censo Demográfico de 2022, apresentados na análise de Tereza, Cabreúva tinha 47.011 habitantes, dos quais 6.058 tinham 60 anos ou mais.

Isso significa que 12,9% da população do município já era considerada idosa, o equivalente a aproximadamente uma em cada oito pessoas.

Mas a pesquisadora chama a atenção para outro dado importante, que ajuda a compreender o que pode acontecer nos próximos anos.

Em 2022, Cabreúva também registrava:

2.575 moradores entre 55 e 59 anos;

2.952 moradores entre 50 e 54 anos.

Essas duas faixas etárias mostram que uma parcela significativa da população estava se aproximando dos 60 anos.

Até 2030, as pessoas que tinham entre 55 e 59 anos em 2022 estarão na faixa dos 63 aos 67 anos, caso continuem vivas e residindo no município.

Já entre os moradores que tinham de 50 a 54 anos naquele período, aqueles que estavam com 52, 53 ou 54 anos também terão completado 60 anos até 2030.

Tereza ressalta, entretanto, que esses números não representam uma previsão oficial de quantos idosos existirão em Cabreúva ao final da década. Para isso, seria necessário considerar fatores como óbitos, entrada e saída de moradores e outras mudanças na população.

A estimativa populacional do IBGE para 2026, apresentada no trabalho, aponta 48.815 habitantes em Cabreúva. Esse número, porém, corresponde à população total e não informa quantos moradores idosos existem atualmente.

Envelhecer não significa necessariamente ficar doente

Outro ponto importante destacado por Tereza é que o envelhecimento não deve ser visto automaticamente como sinônimo de doença, incapacidade ou perda de independência.

Segundo a pesquisadora, cada pessoa envelhece de maneira diferente. Enquanto algumas conseguem manter uma vida ativa e independente por muitos anos, outras podem precisar de acompanhamento mais próximo e cuidados específicos.

Ela chama a atenção, por exemplo, para situações comuns dentro das famílias, como esquecimentos frequentes, dificuldades para caminhar, perda de equilíbrio e quedas.

Esses acontecimentos não devem ser considerados simplesmente consequências naturais da idade.

Esquecimentos persistentes, principalmente quando começam a interferir nas atividades do dia a dia, precisam ser avaliados. Da mesma forma, quedas podem estar relacionadas à perda de força muscular, dificuldades de equilíbrio, problemas de visão, efeitos de medicamentos ou outras condições de saúde.

Por isso, a pesquisadora defende que a prevenção e a identificação precoce de riscos sejam prioridades no atendimento à população idosa.

O desafio também está na estrutura de saúde da cidade

Na análise, Tereza explica que o envelhecimento da população exige uma organização dos serviços de saúde capaz de acompanhar as pessoas ao longo dos anos.

Doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares continuam exigindo atenção. Entretanto, outras condições, como alterações de memória, demências, fragilidade física, quedas e dificuldades para realizar atividades cotidianas, também precisam fazer parte do planejamento.

A pesquisadora destaca que não basta aumentar o número de consultas médicas. É necessário integrar os diferentes serviços de saúde, melhorar o acompanhamento dos pacientes e garantir que as pessoas recebam orientação e tratamento conforme suas necessidades.

As unidades de atenção primária, como as unidades básicas de saúde, têm papel importante nesse processo, principalmente na prevenção, no acompanhamento de doenças e na identificação de problemas antes que se agravem.

Outro ponto levantado por Tereza é a situação das famílias que cuidam de pessoas idosas.

Muitas vezes, filhos, cônjuges e outros familiares assumem responsabilidades diárias que podem provocar desgaste físico, emocional e financeiro. Por isso, o apoio e a orientação aos cuidadores também precisam fazer parte das políticas de atenção à pessoa idosa.

Pesquisa aponta três prioridades para Cabreúva

Com base nas mudanças da população e nos desafios relacionados ao envelhecimento, Tereza apresenta três prioridades que considera fundamentais para preparar o município até 2030.

1. Identificar problemas antes que comprometam a independência

A primeira prioridade é ampliar a prevenção e realizar avaliações periódicas que considerem memória, equilíbrio, força muscular, alimentação, mobilidade e saúde emocional.

O objetivo é reconhecer possíveis alterações e oferecer acompanhamento antes que elas prejudiquem a capacidade de a pessoa realizar suas atividades cotidianas.

2. Fortalecer os serviços básicos de saúde

A segunda prioridade envolve melhorar o acompanhamento contínuo da população idosa, aproximando os serviços das famílias e garantindo a integração entre unidades de saúde, especialistas, reabilitação e atendimento domiciliar, quando necessário.

3. Integrar saúde, assistência social e comunidade

A terceira prioridade vai além dos atendimentos médicos.

A pesquisadora destaca a importância de transporte acessível, espaços públicos seguros, atividades físicas, oportunidades de convivência, alimentação adequada e apoio aos familiares.

Essas medidas podem ajudar os idosos a permanecerem ativos, independentes e participando da vida em comunidade.

Cabreúva precisa olhar para o futuro

A análise também chama a atenção para a necessidade de conhecer melhor a realidade dos idosos que vivem no município.

Isso inclui identificar onde essas pessoas moram, quais são suas principais necessidades, quais serviços estão disponíveis e como acontece o acesso ao atendimento.

Para Tereza, esse levantamento é importante para que o planejamento seja baseado em informações concretas, permitindo estabelecer prioridades, metas e acompanhar os resultados das ações desenvolvidas.

A pesquisadora lembra que o envelhecimento populacional não é uma preocupação exclusiva de Cabreúva. Trata-se de uma transformação que acontece em todo o Brasil.

O trabalho também menciona a Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030), iniciativa da Organização Mundial da Saúde que incentiva governos e comunidades a desenvolver ações voltadas à qualidade de vida das pessoas idosas.

O principal alerta da análise é que preparar Cabreúva para o envelhecimento significa começar a cuidar hoje das necessidades que serão cada vez mais importantes no futuro.

Mais do que discutir quantos idosos a cidade terá em 2030, a questão é entender quais condições estão sendo construídas para que essas pessoas possam continuar vivendo com autonomia, segurança e dignidade.

Como Tereza destaca na conclusão de seu trabalho:

“Uma cidade que se prepara para envelhecer não cuida apenas das pessoas idosas. Cuida de toda a sua população.”

Sobre a autora da análise

Tereza Raquel Xavier Viana é biomédica (CRBM1: 71.904), habilitada em Gerontologia, Pesquisa Clínica, Biofotônica e Patologia Clínica.

É especialista em Neurociências, Administração Hospitalar, Auditoria em Saúde e Cannabis Medicinal.

Também atua como pesquisadora e docente do curso de Biomedicina do Centro Universitário Padre Anchieta.

Seu trabalho envolve avaliação neurofuncional, cognição, envelhecimento, prevenção e promoção da saúde, com foco na preservação da independência e na melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas.

Fonte: Análise “Cabreúva está envelhecendo: estamos preparados para cuidar de quem construiu a nossa cidade?”, de Tereza Raquel Xavier Viana, elaborada com base em dados do IBGE e referências oficiais de saúde pública.

Fonte: Portal da Cidade Cabreúva

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