Portal da Cidade Cabreúva

SAÚDE

Moradora do Parque Santo Antônio relata desafios de viver com fibromialgia

Gisele Cruz, de 39 anos, convive com dores constantes e conta como o preconceito agrava ainda mais a realidade de quem enfrenta a doença

Publicado em 28/07/2025 às 10:44

Moradora do Parque Santo Antônio relata desafios de viver com fibromialgia (Foto: Arquivo pessoal)

A sanção da nova lei federal que reconhece a fibromialgia como uma deficiência segue gerando repercussão em Cabreúva. Para muitos moradores, a mudança representa mais do que acesso a direitos: é uma forma de dar visibilidade a uma condição ainda subestimada por grande parte da sociedade.

É o caso da moradora do Parque Santo Antônio, Gisele Cruz, de 39 anos, que convive com a fibromialgia há quase três anos. Diagnosticada com o CID 79.7, ela relata que, além das dores físicas constantes, o que mais machuca é o olhar de quem não entende a doença.

“Minhas dores são invisíveis e são vistas diariamente como falta de vontade, preguiça ou frescura. O pior sintoma da fibromialgia é a indiferença”, desabafa.

Entenda a doença

A fibromialgia é caracterizada por dor crônica generalizada nos músculos e articulações, acompanhada de sintomas como:

 • Sensibilidade extrema ao toque

 • Cansaço persistente, mesmo após descanso

 • Dificuldade para dormir (insônia)

 • Déficits de memória e concentração (“névoa mental”)

 • Distúrbios gastrointestinais, como o intestino irritável

 • Alterações de humor, ansiedade e depressão

Apesar de não ter cura, a condição pode ser controlada com acompanhamento médico, medicações, fisioterapia, psicoterapia e hábitos saudáveis. “Faço tratamento desde que fui diagnosticada. A medicação ajuda, mas não resolve tudo. Há dias em que levantar da cama é uma tortura. Nem mesmo o remédio dá conta”, relata Gisele.

Ela destaca que as crises se intensificam com mudanças climáticas, estresse e esforço físico, o que torna difícil manter uma rotina regular. “Tarefas simples, como varrer a casa ou segurar um talher, podem ser uma tortura em alguns dias”, explica.

Trabalho e direitos

Afastada do trabalho desde 17 de fevereiro de 2022, Gisele não recebe auxílio nem qualquer suporte da empresa. Agora, com a nova legislação, ela luta para conseguir a carteirinha de Pessoa com Deficiência (PcD), que poderá garantir acesso a benefícios e proteção legal no mercado de trabalho.

“Não tenho condições de fazer uma rotina normal. Estou esperando que essa nova lei traga respaldo real. Quero ser tratada com dignidade”, afirma.

Avanços e próximos passos

A Lei nº 15.176/2025, sancionada no dia 24 de julho, reconhece a fibromialgia como deficiência e garante, a partir de janeiro de 2026, direitos como:

 • Cotas em concursos e vagas de emprego

 • Passe livre no transporte público

 • Isenção de IPI em veículos adaptados

 • Meia-entrada em eventos culturais

 • Acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), entre outros

Para isso, será necessária avaliação por equipe multidisciplinar que comprove limitação funcional. A regulamentação deve ser publicada pelo Ministério da Saúde nos próximos meses.

Enquanto isso, Gisele segue enfrentando a doença com coragem — e agora, também com esperança: “Mais do que os benefícios, o que essa lei representa é o reconhecimento de que a gente existe. E que nossas dores não são exagero, são reais.”

Fonte: Portal da Cidade Cabreúva

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp