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Infância

Felca é prova de que discurso sem luta não muda nada

A história de Felca para Cabreúva, mostra que inclusão só acontece com atitude coletiva

Publicado em 21/08/2025 às 14:31
Atualizado em

Monica Monteiro - Especialista em Direito da Pessoa com Deficiência (Foto: Internet)

Às vezes, basta uma voz corajosa para iniciar uma revolução. Foi exatamente isso que o influenciador Felca fez ao denunciar a exploração e a “adultização” de crianças nas redes sociais. Seu vídeo, carregado de ironia e contundência, ultrapassou os 45 milhões de visualizações em poucos dias, escancarando como algoritmos e produtores de conteúdo transformam a infância em espetáculo mercadológico.

O impacto foi imediato. Comentários nas redes chamaram a publicação de “a revolução que estávamos precisando há anos”. E de fato, não foi apenas mais um vídeo viral: foi o estopim de uma mudança social. Felca deu nome, rosto e urgência a um problema que vinha sendo silenciado.

A força dessa denúncia não ficou restrita ao ambiente digital. Em Brasília, 70 senadores assinaram o pedido de criação de uma CPI para investigar a exploração infantil nas redes sociais. Na Câmara dos Deputados, o vídeo uniu vozes de direita e esquerda em defesa das crianças, reacendendo o debate sobre a regulação das plataformas digitais. Até o governo federal anunciou que apresentará um projeto de lei em resposta ao clamor popular.

Mas toda revolução tem seu preço. Felca passou a receber ameaças de morte, e a Justiça de São Paulo autorizou a quebra de sigilo para identificar os autores. Ainda assim, o apoio da sociedade e de figuras públicas foi massivo. Gente como a escritora Glória Perez elogiou sua coragem, e milhares de pessoas expressaram solidariedade.

O que aconteceu com Felca mostra como a inclusão, a diversidade e o respeito não podem ser tratados apenas como discursos bonitos. Eles precisam se tornar compromissos reais, defendidos com firmeza. Felca transformou indignação em movimento, denúncia em ação política, dor em esperança.

Hoje, ele não é apenas um youtuber. É símbolo de que a mudança pode começar com um vídeo, mas só se sustenta quando vira ação coletiva. Uma revolução positiva que nos lembra: proteger nossas crianças e adolescentes é dever de todos nós — sociedade, famílias, empresas e governos.

Indicação de filme:
O Menino que Descobriu o Vento (2019) – uma história real de coragem e transformação, mostrando que até as menores vozes podem provocar grandes mudanças.

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Fonte: Monica Monteiro

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