Papo de Especialista
Quando entender o filho vale mais que entender o diagnóstico
Pais de crianças com deficiência enfrentam desafios diários e descobrem na empatia e no apoio profissional caminhos para uma vida com mais autonomia e amor
Publicado em
24/10/2025 às 11:00
Atualizado em
Quantas vezes você, pai, mãe ou tutor de uma pessoa com deficiência, já se sentiu sozinho? Sozinho para entender o que está acontecendo, sem ter alguém que realmente escute, apoie ou ajude a compreender o que seu filho tem e como lidar com ele? Eu também já me senti assim.
Lá atrás, quando a Fernanda nasceu, vivi momentos em que parecia não haver respostas. Mas o tempo e essa caminhada de amor e aprendizado me ensinaram algo essencial: mais importante do que entender o diagnóstico é entender a pessoa.Porque nossos filhos não são apenas um nome, um laudo ou uma condição. Eles são feitos de pensamentos, jeitos, gestos e formas únicas de ver o mundo. E aquilo que aprendemos com nossos pais, ou com a vida, muitas vezes não serve da mesma forma para eles.
O verdadeiro caminho para a inclusão começa quando a gente tenta pensar como eles pensam. Como aprendem matemática ou português, como se organizam para arrumar a cama, como se comunicam, como desabafam, como vivem e se relacionam com os amigos. Quando entendemos o modo como nossos filhos aprendem e sentem, a vida se torna mais leve, e o amor, mais eficiente.
E quem pode nos ajudar nessa jornada?
As equipes multidisciplinares: terapeutas ocupacionais, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, pedagogos e tantos outros profissionais que trabalham junto às nossas famílias. Eles são pontes de conhecimento e aliados preciosos. E um lembrete importante: a lei permite que você participe das terapias do seu filho. Entre, aprenda, observe. Você tem esse direito e, mais do que isso, essa oportunidade de crescer junto com ele. Porque nem tudo dá para terceirizar.
Nem o Estado, nem os serviços particulares conseguem suprir tudo. Mas o que podemos fazer e que faz toda a diferença é nos dedicarmos, buscarmos informação e criarmos filhos e filhas com o máximo de autonomia, dentro das possibilidades de cada um. E se o seu filho tem uma condição mais grave, lembre-se: ele ainda tem o direito de ser feliz.
Entenda quem ele é. Descubra o que o faz sorrir. Isso também é independência. Por fim, um recado que sempre repito:
Cuide de quem cuida. Olhe para você. Reserve tempo para o seu descanso, sua saúde e suas emoções.
Redes Sociais: @eumonicaelafernanda. WhatsApp: (11) 94045-4976
Fonte: Monica Monteiro
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