Papo de Especialista
Entenda como é feita a divisão de bens entre herdeiros
A partilha de bens exige inventário e segue regras legais que garantem os direitos dos herdeiros, com ou sem testamento
Publicado em
04/02/2026 às 09:27
Atualizado em
Quando uma pessoa falece, é comum que familiares acreditem que os bens serão automaticamente divididos entre os herdeiros. No entanto, a legislação brasileira estabelece um procedimento obrigatório antes da partilha: o inventário.
De acordo com especialistas em direito sucessório, os bens não são imediatamente transferidos aos herdeiros. Antes da divisão, todo o patrimônio passa a integrar o chamado espólio, que representa o conjunto de bens, direitos e dívidas deixados pelo falecido.
Até a conclusão da partilha, nenhum herdeiro é proprietário de forma individual. O patrimônio pertence ao espólio e só pode ser formalmente dividido após o encerramento do inventário.
Como ocorre a partilha entre os herdeiros?
A partilha é a etapa do inventário em que os bens são efetivamente distribuídos entre os herdeiros. Ela pode ocorrer de duas formas:
Por acordo entre todos os herdeiros, quando há consenso. Nesses casos, o inventário pode ser feito extrajudicialmente, diretamente em cartório, de forma mais rápida e menos burocrática.
Mesmo havendo herdeiro menor ou incapaz, o inventário extrajudicial é possível, desde que a partilha seja favorável ao incapaz, não exista conflito entre os herdeiros e haja a devida manifestação do Ministério Público, que atua como fiscal da lei.
Por decisão judicial, quando existe conflito entre os herdeiros, quando não há consenso sobre a partilha ou quando o Ministério Público entende que a via extrajudicial não é adequada. Nessas situações, o inventário deve tramitar na Justiça.
O que define a divisão dos bens?
A divisão do patrimônio deve respeitar a lei sucessória, que estabelece quem são os herdeiros, em que proporção cada um tem direito e a ordem de vocação hereditária. Caso exista testamento, suas disposições também devem ser observadas, sempre dentro dos limites legais.
“A partilha não pode ser feita de forma aleatória. Ela precisa seguir a lei e, quando houver, o testamento, garantindo os direitos dos herdeiros necessários”, esclarece o especialista.
Por que a partilha correta é tão importante?
Uma partilha bem conduzida traz diversos benefícios jurídicos e familiares, como:
- transferência legal dos bens aos herdeiros
- prevenção de conflitos familiares
- segurança jurídica para todos os envolvidos
- possibilidade de venda, financiamento e regularização dos bens herdados
Sem a partilha formal, os bens permanecem juridicamente irregulares, o que pode impedir negociações futuras e gerar disputas entre familiares.
Cada caso exige análise específica
Cada inventário possui particularidades, que variam conforme o tipo de bem, a existência de testamento, o número de herdeiros e a situação documental do patrimônio.
Por isso, a orientação de um profissional especializado é fundamental. Informação jurídica é essencial para garantir uma partilha segura, evitar erros e preservar o patrimônio familiar.
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Fonte: Diego Antonio Marinho Bertagni
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