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Papo de Especialista

Capacitismo disfarçado de elogio ainda limita vidas em Cabreúva

Pessoas com deficiência querem respeito e acessibilidade, não rótulos de heróis ou coitados

Publicado em 16/10/2025 às 10:54
Atualizado em

Monica Monteiro - Especialista em Direito da Pessoa com Deficiência (Foto: Internet)

Em Cabreúva, como em tantas outras cidades, é comum ouvirmos frases como: “Olha que exemplo de vida!” ou “Nossa, se fosse eu, não teria coragem”, quando alguém vê uma pessoa com deficiência trabalhando, estudando ou simplesmente circulando pela rua. Embora pareça elogio, esse olhar pode carregar um peso escondido: o capacitismo.

O capacitismo acontece quando enxergamos a pessoa com deficiência como alguém “menor”, “coitado” ou como “herói” apenas por viver sua rotina. É quando a sociedade romantiza as dificuldades em vez de garantir condições para que todos vivam com dignidade e igualdade.

  •  Uma jovem cadeirante indo para a escola não está “superando”, ela está apenas buscando seu direito de aprender como qualquer aluno.
  •  Um trabalhador surdo atendendo em um comércio do centro não é “um exemplo de coragem”, ele está exercendo sua profissão, como todos nós.
  •  Uma mãe com deficiência visual cuidando de seus filhos não precisa ser vista como “guerreira”, mas como mulher e cidadã que merece respeito e acessibilidade.

Aqui em Cabreúva, ainda temos muitos desafios: calçadas sem rampas, falta de intérpretes de Libras nos serviços públicos, escolas que não estão totalmente preparadas para alunos com deficiência, ausência de transporte acessível em alguns bairros. Essas barreiras não são “provas de superação” para ninguém enfrentar — elas são injustiças que a sociedade precisa corrigir.

É por isso que precisamos mudar o olhar: parar de transformar dificuldades em espetáculo e começar a lutar por acessibilidade, respeito e protagonismo. As pessoas com deficiência não querem ser vistas como coitadas ou como heróis. Querem ser reconhecidas como cidadãos plenos, com direitos, sonhos e responsabilidades.

O protagonismo é quando a pessoa com deficiência fala por si, ocupa espaços de decisão, trabalha, estuda, constrói família, participa da vida social e política. Quando isso acontece, toda a cidade cresce junto.
Em vez de dizer “que exemplo de superação”, pergunte: “O que posso fazer para tornar Cabreúva mais acessível e inclusiva?”
Em vez de admirar de longe, apoie de perto: vote em projetos inclusivos, cobre melhorias na cidade, respeite o espaço de fala das pessoas com deficiência.
Meu recado deste setembro é claro: valorize o protagonismo de quem está ao seu lado.
A inclusão só será verdadeira quando deixarmos de lado os rótulos e abraçarmos a diversidade como parte natural da nossa cidade.

Indicação de Filme -“O Primeiro da Classe”

Para refletir sobre protagonismo e inclusão sem romantização, indico o filme “O Primeiro da Classe” (Front of the Class). Baseado em uma história real, o longa mostra Brad Cohen, um professor com síndrome de Tourette que enfrenta preconceitos, mas conquista seu espaço não como “herói” ou “exemplo de superação”, e sim como profissional competente, apaixonado por ensinar. O filme nos inspira a olhar além do rótulo e enxergar a pessoa pelo que ela realmente é: protagonista da própria história.

Vamos falar mais sobre isso? Entre em contato pelo WhatsApp (11) 94045-4976 ou pelas redes sociais @tesserah360 e @eumonicaelafernanda.


Fonte: Monica Monteiro

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